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O Festival de Arte Digital, FAD para os íntimos (rs!), reuniu 40 obras de 14 países nas estações do Metrô de Belo Horizonte entre os dias 12 e 15 de março de 2009. E eu fui uma das monitoras selecionadas para guiar os visitantes nessa viagem digital.

A experiência de ser monitora no Festival foi única. No primeiro dia do Festival, fiquei na plataforma da Estação Central, na qual estavam expostas 6 instalações super bacanas. A movimentação tomou conta da plataforma.
Pessoas atônitas, a espera do próximo trem, se deixavam levar pela curiosidade do que se escondia dentro daquelas 6 caixas pretas montadas, 3 de cada lado da plataforma.
(Nós monitores e os seguranças até bolamos um plano de criar uma ponte entre cada lado da plataforma, afim de evitar a fadiga de descer e subir as escadas, a cada hora que se fazia necessário pular para o outro lado. rs)
O intercâmbio de experiências, promoveu o deslocamento espacial, pelo qual o visitante era levado a contemplar (e mais do que isso, interagir) com todas as obras. A Estação Central era o ponto de partida ou de encontro de vários visitantes, que dali partiam para a próxima estação.
Surpreendentemente, pude aprender e observar com toda aquela movimentação de pessoas que iam e viam, questionavam, interagiam, riam, duvidavam do que estavam sendo proposto ali. Tamanha era a diversidade do público presente, que na Estação Eldorado, na qual fui monitora, tive que ir além das funções incumbidas a minha pessoa. Tive que proporcionar o primeiro contato de muitos visitantes aos equipamentos digitais (nossos velhos e bons PC’s) pelos quais estavam dispostas as obras de todos os artistas.
Sim, me surpreendi pela possibilidade, até então remota, de conhecer alguns analfabetos digitais. Mas não venho apontar o lado negativo dessa realidade. Venho dizer o quanto aprendi com a falta. A falta que nos faz levar a dúvida. Dúvida que nos promove questionamentos. Questionamentos os quais me colocaram em saia justa.
Um garotinho com seus inocentes 11 anos me pergunta: “Moça, o que é digital?“
Pausa. Breve momento de reflexão interna. Como ser simples e objetiva na minha resposta, sem deixar o garotinho sem entender nada, ou achando tudo aquilo um bicho de sete cabeças?
E a pergunta me seguia. Pausa.
A cada parada do metrô, seus expressos e pontuais 15 minutos, que faziam surgir uma multidão aflita correndo contra os ponteiros do relógio que delatavam a alguns transeuntes seu atraso, e que assim não permitiam uma breve olhadela curiosa no stand montado logo ao lado da escada rolante que dava acesso a plataforma da Estação Eldorado.

Enfim… o Festival me fez abrir os horizontes até no convívio com pessoas diferentes, que não estou acostumada a lidar no dia-a-dia corrido. Me fez perceber que um simples bom-dia tem grande significado, pra quem trabalha parado num posto fixo (eu e o André, meu segurança, que o diga! rs)
O Festival me possibilitou ampliar meu conhecimento sobre a organização, divulgação e dinâmica das obras expostas. O evento teve uma grande estrutura com as obras interativas nas estações do metrô Central, Eldorado e Minas Shopping. A utilização da arte aliada a tecnologia ampliou as conexões existentes. Como era o caso da obra Your life our movie, na qual o próprio artista Fernando Velasquez estava presente e tentou explicar a interação de sua obra. O espanhol aplicou a dinâmica da sua obra na interação entre palavras digitadas pelo visitante e as tags mais acessadas do banco de imagens do site flickr, culminando a criação de um filme em tempo real. Outra possibilidade de interação encontrada nessa instalação era o envio de e-mails (via PC ou smartphone) com a tag desejada no campo de assunto. Assim, a projeção no telão era provinda dessa interação via e-mail e a projeção da tela do PC era instantânea a partir da intervenção do visitante.
Poderia ficar horas relatando minhas experiências multi-sensoriais com cada obra desse Festival, mas vou deixar um pouco na curiosidade de quem não pode ir visitá-lo esse ano e faço desde já o convite para o próximo Festival em 2010.
Mas não tem como deixar de lado a exibição de filmes com shows e perfomances de artistas, que rolou durante o sábado a noite, e que na minha humilde opinião foi o auge do Festival. =)

O mais bacana de tudo era acompanhar a apresentação ao vivo dos artistas, que montavam suas imagens ritmadas na música eletrônica, sentada no chão da Plataforma Central do Metrô, ao lado de tribos diversas: crianças, trabalhadores, jovens cults e idosos; tudo isso em harmonia com a performance exibida num telão posicionado atrás da linha de ferro, o qual nos proporcionou momentos incríveis, como quando o vagão em movimento se fez tela em suas janelinhas, mostrando os fragmentos de frames visuais pixelados na composição férrea.
Sim, quem não foi perdeu. rs
Enfim, agradeço aqui ao Alexandre Milagres pela minha convocação para fazer parte dessa equipe, ao Pedro Gomide e aos outros organizadores pela incrível iniciativa, e também aos monitores, com os quais pude compartilhar descobertas e experiências, e claro não poderia esquecer de agradecer aos meus seguranças, que me fizeram companhia entre os horários ociosos das estações Central e Eldorado, principalmente ao André.
Até o próximo pessoal!

fotos: site FAD
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